"A função do artista é violentar" (Glauber Rocha)

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Entrevista com Carlos Latuff, Jornal do Comércio RS, 24Dez2013 @JC-RS

Entrevista na íntegra, no site do jornal http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=143329

Entrevista Latuff Jornal do Comercio Porto Alegre 24Dez2013


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Entrevista para a @RevistaBLA, de Montevidéu, em sua edição de outubro

Revista Bla Uruguay October 2013


Foro de São Paulo: Nota de apoyo a Carlos Latuff

Nota de apoyo a Carlos Latuff

NOTA DE APOYO A CARLOS LATUFF

23 ENERO, 2013

En diciembre de 2012, el Centro Simon Wiesenthal, organización con sede en Los Angeles (EUA), incluyó el caricaturista brasileño Carlos Latuff en una lista de las diez organizaciones o personas consideradas más antisemitas del mundo. En esa lista, el brasileño figura como tercero mayor enemigo de Israel por causa de sus dibujos contra el Primer Ministro Benjamín Netanyahu y el bombardeo a Gasa. Mezclando el dibujante y su arte con diferentes extremistas y racistas -como el partido neo nazista griego Aurora Dorada- la institución intenta asociar críticas legítimas al Estado de Israel con odio a los judios.

La tentativa de imputar al caricaturista brasileño la marca de antisemita sirve solamente a los intereses políticos e ideológicos de los que quieren intimidar las luchas de solidaridad con los palestinos.

En la misma trinchera de ese combate político e ideológico, manifestamos nuestra total solidaridad a Carlos Latuff. Y es en ese campo, pues, que reafirmamos la crítica a los ataques del Estado de Israel al pueblo palestino, así como rechazamos los ataques de los sionistas a los defensores de la causa de la Palestina en todo el mundo.

Secretaría Ejecutiva
Foro de Sao Paulo

http://forodesaopaulo.org/?p=2201

(Clique na imagem para ampliar)

Nota de apoyo a Carlos Latuff Foro de Sao Paulo 23 Enero 2013


Mauro Santayana:Ñ podemos fazer de conta q nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff…

“Não podemos fazer de conta que nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff, cuja segurança pessoal deve ser, de agora em diante, de responsabilidade do governo.”

Um ano perigoso

Jornal do Brasil
Mauro Santayana, de Brasília

01/01/2013 às 04h00

É bom não esperar muito dos próximos doze meses. Os dissídios internacionais tendem a crescer e, se não houver o milagre do bom senso, podem conduzir a novos conflitos armados regionais, com o perigo de que se ampliem. Os chineses, que têm particular visão de mundo, podem dissimular sua alma coletiva, mas no interior de seu excepcional crescimento econômico e tecnológico, militam sentimentos de orgulhosa desforra. Nenhum povo, ao que registra a História, foi tão espezinhado pelos invasores armados quanto o chinês.

Durante milênios, senhores dentro de suas fronteiras, sentiam-se os donos do mundo que conheciam, mesmo que vivessem em guerras internas e se defendessem de vizinhos hostis.

O enriquecimento dos chineses e sua crescente presença internacional são fatos novos, que podem ser o fator mais importante da História neste século, que já entrou em sua segunda década. Eles estão se apropriando, com perseverança e obstinação, das riquezas naturais do mundo, do petróleo às terras raras (de que são grandes possuidores em seu próprio subsolo). Ao mesmo tempo, desenvolvem tecnologia militar própria e fortalecem seus exércitos.

É difícil pensar que, dispondo de tal poder econômico e militar, os chineses não o utilizem na defesa de sua cultura e de seus interesses. E também para cobrar o que lhes fizeram os colonizadores europeus durante o século 18 – e os japoneses, no século 20, na Manchúria. Como eles se lembram bem, contingentes do Exército Japonês, em fúria animal, mataram, entre dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, mais de 200 mil militares e civis na cidade de Nanquim, estupraram as mulheres e meninas, antes de matá-las, e dilaceraram os corpos dos meninos, entre eles os de recém-nascidos.

O general Chiang-kai-Chek, que se tornaria anticomunista em seguida, não ficou bem no episódio. Com a desculpa de que deveria preservar a elite de seu exército, abandonou a cidade, entregando-a a recrutas mal treinados e a voluntários civis, além da população, inocente e desarmada. Foi essa gente, sem treinamento e debilitada, que os japoneses venceram e trucidaram. Os chineses não esqueceram os mortos de Nanquim, e os japoneses se esforçam em fazer de conta que não foi bem assim.

O dissídio, aparentemente menor, entre Beijing e Tóquio, a propósito das ilhas Senkaku (em japonês) ou Diaoyu (em chinês) pode ser o pretexto para o acerto de contas de 1937. Nos últimos dias do ano, o Japão decidiu enviar uma força naval para a defesa das ilhas, cuja soberania diz manter – o que os chineses contestam. Os chineses advertiram que vão contrapor-se à iniciativa bélica japonesa. As ilhas, sem importância econômica, e desabitadas, eram milenarmente chinesas, e foram incorporadas pelo Japão em 1895, depois da guerra sino-japonesa daquele fim de século. São ilhotas diminutas, a menor com apenas 800 metros quadrados (menor do que um lote urbano no Brasil) e a maior com pouco mais de 4 km2.

Acossados por uma série de vicissitudes, os Estados Unidos começam o ano combalidos pelo confronto político interno, a propósito do Orçamento. Mas não perdem a sua velha arrogância imperial. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono, para antecipar, enquanto lhes parece mais conveniente, o confronto com os chineses. Há um tratado de paz dos Estados Unidos com o Japão que prevê a ajuda americana em caso de conflito regional. É uma partida muito arriscada.

O presidente Obama também acaba de sancionar uma lei do Congresso determinando que o governo norte-americano tome medidas para impedir a penetração diplomática do Irã na América Latina, e, no bojo das justificativas, a Tríplice Fronteira é mais uma vez citada, como  área que financia o Hesbolá. Como se  não houvesse, ali e no resto do Brasil, os que financiam o Estado de Israel. Devemos nos precaver.

Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais (sobretudo com o Irã e a Palestina), entre eles alguns senadores da República, como revelaram os despachos do Embaixador Sobel, divulgados pelo WikiLeaks.

O anunciado conflito armado entre Israel e o Irã é também alimentado pelo ódio da extrema direita judaica contra todos os que criticam Tel Aviv. O Centro Simon Wiesenthal considerou o cartunista brasileiro Carlos Latuff o terceiro maior inimigo de Israel no mundo. Os dois primeiros são o líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e Ahmadinejad, o presidente do Irã.

O cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são mais críticos da posição de Israel contra os palestinos do que o cartunista brasileiro.

É lamentável que o nome do caçador de nazistas Simon Wiesenthal, que conheci e entrevistei, em Viena, há mais ou menos 40 anos, para este mesmo Jornal do Brasil, seja usado para uma organização fanática e radical, como essa. Wiesenthal, ele mesmo sobrevivente da estupidez nazista, era um obstinado – e legítimo – caçador de criminosos de guerra, que haviam cometido todo o tipo de atrocidades contra seu povo.

O governo direitista de Israel é de outra origem. Não podemos fazer de conta que nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff, cuja segurança pessoal deve ser, de agora em diante, de responsabilidade do governo. Ou que não nos devamos preocupar com a lei aprovada por Obama. Temos tido bom relacionamento com o governo do Irã, e a política externa brasileira é decisão soberana de nosso povo.

Uma presença militar maior em Foz do Iguaçu e ao longo da fronteira ocidental é necessária, a fim de dissuadir os agentes provocadores. As guerras sempre foram vantajosas para os americanos, desde a invasão do México, em 1846-48. É provável que seus estrategistas estejam retornando à Doutrina Bush da guerra infinita.

Diante desse cenário mundial instável, e na perspectiva de uma campanha sucessória agitada, temos que manter toda serenidade possível. A defesa de posições políticas eventuais não deve comprometer a segurança nem a soberania do povo brasileiro. A nação deve sobrepor se a todos os interesses, mais legítimos uns e menos legítimos outros, de grupos econômicos e partidários.

Infelizmente, desde Calabar e Silvério dos Reis, não faltam os que desprezam o nosso povo e traem os interesses da Pátria.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/01/01/um-ano-perigoso/


Cineasta Sílvio Tendler expressa solidariedade ao cartunista Latuff, acusado de antissemitismo

Diante da acusação do Centro Simon Wiesenthal de que eu seria o “terceiro maior antissemita do mundo”, meu camarada semita Sílvio Tendler expressa sua solidariedade:

Prezado Latuff:

Dia 19 fui depor na quinta delegacia a respeito de uma acusação mentirosa de constrangimento ilegal por parte de um grupo de militares sediciosos. No dia seguinte, você veio a minha casa hipotecar solidariedade, me entrevistou e colocou no You Tube.
Conversamos muito, inclusive sobre sionismo, semitismo, etc. Te desafiei a irmos juntos a Israel e Palestina. Você me disse que não conseguiria entrar e, se entrasse, não te deixariam sair. Duvidei. Você, infelizmente, tem razão. 

Um centro criado para caçar criminosos nazistas, que perseguiram, mataram, deportaram, torturaram judeus durante a segunda guerra, agora é utilizado, de forma equivocada, para embaralhar sionismo com semitismo. Te consideraram como o terceiro maior anti-semita da atualidade. Depois de você vem um clube inglês que, num bairro judeu de Londres, louva Hitler e as câmeras de gás; partidos efetivamente antissemitas na Grécia e na Ucrânia vem depois do nome de um cartunista que usa sua arte para defender suas ideias. Anti-sionista, sim; anti-semitas, não. Até porque, de descendência árabe, você também é semita e afinal somos todos igualmente circuncisos. Tuas charges não são mais anti-semitas que um artigo de Ury Avnery, Amira Haas ou de Gideon Levy, todos judeus, israelenses.

O moldavo Lieberman, sim, é anti-semita com o comportamento racista que destila ódio entre árabes e judeus, habitantes ancestrais de uma terra onde ele vive há pouco mais de dez anos.

Tua charge com Bibi espremendo uma árabe para tirar votos dos eleitores isralenses reflete uma triste realidade.

Esse rabino que te colocou nessa lista não sabe do que está falando. Caminhemos junto rumo a um mundo laico e fraterno que congregue árabes e judeus num espaço de paz, progresso, respeito mútuo e fraternidade.

Solidariamente,

Silvio Tendler


Compilation of my cartoons about #F1 in #Bahrain for free reproduction

(Click on thumbnails to enlarge)

     

           


Portrait of Carlos Latuff, by Amr Ezz Eldeen

My portrait kindly made by Amr Ezz Eldeen. Thank you very much, Amr! 🙂

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