"A função do artista é violentar" (Glauber Rocha)

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Lançada coletânea de minhas charges sobre a Síria. No Brasil? Não, na Itália!

O velho ditado “Santo de casa não faz milagre” tem sua origem do latim Nemo propheta in patria. Eu sou a prova viva de que isso é a mais pura verdade.

Por ocasião do evento anual de quadrinhos de realidade Komikazen a ser realizado em Ravenna entre 11 e 14 desse mês na antiga cidade italiana de Ravenna, foi lançada uma coletânea de minhas charges sobre o conflito na Síria pela editora Giuda Edizioni. Esse seria o terceiro livro dedicado as minhas charges. O primeiro foi lançado em 2007 na Jordânia e o segundo em janeiro de 2012 na Suécia. E no Brasil, onde nasci e me criei? Fora um apêndice do livro Apologia dos bárbaros publicado pela editora Boitempo, nenhum livro foi dedicado inteiramente a meu trabalho no Brasil.

Se não fosse pela imprensa sindical de esquerda, para qual trabalho desde 1990 com muito orgulho, eu estaria na merda agora. O Brasil despreza seus artistas.

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Pequeno rascunho no interior da igreja S. Apollinare in Veclo, em Ravenna, Italia

Esse rascunho que cabe na palma da mão tem uma história.

Estou nesse momento em  Ravenna, uma belíssima cidade medieval ao norte da Itália, a convite da Associazione Culturale Mirada, para participar como único convidado estrangeiro do festival de quadrinhos de realidade Komikazen. Hoje pela manhã bem cedo, resolvi sair do hotel para um rápido tour pelos arredores. Vi uma pequena igreja aberta e entrei, só de curiosidade. Tratava-se da Chiesa S. Apollinare in Veclo erguida entre 1682 e 1762. Assim que entrei, me deparei com o padre rezando uma missa para exatas 3 pessoas, fora as freiras enclausuradas , que assistiam a missa por detrás de grades. Resolvi sentar e observar. Quis fotografar a cena, mas não me sentí muito a vontade, e em respeito aquela cerimônia religiosa, registrei o momento desenhando. Entre uma fala do padre e outra, havia um silêncio tão grande que eu conseguia ouvir o ruído da caneta riscando o papel. No final da missa, cortinas automáticas desciam pelas grades, isolando visualmente as freiras. Segundo o padre, são irmãs clarissas.

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